Falar bem em público se aprende na escola
Seminário, debate e entrevista são conteúdos curriculares. Para que todos aprendam a tomar a palavra, é essencial orientar a pesquisa, discutir bons modelos, refletir sobre simulações e indicar formas de registro.
Para que um seminário seja eficiente, o aluno precisa se sentir um especialista sobre o assunto que vai expor e ser claro ao apresentar suas ideias. Ele deve passar ao público o que considera mais importante e, ao tomar o lugar que geralmente é do professor, pensar na melhor maneira de fazer isso.
De acordo com Schneuwly, essa atividade é "um instrumento privilegiado de transmissão de diversos conteúdos", mas, para que seja realmente eficiente, é necessário que "estratégias concretas de intervenção e procedimentos explícitos de avaliação sejam adotados". O pesquisador chama a atenção para essas funções do professor porque, mesmo sendo o seminário um dos gêneros orais mais comuns em classe, ele não recebe a atenção devida a um conteúdo de ensino. "Muitas vezes, o professor propõe um tema e pede que se faça um seminário sobre ele. Esquece-se, no entanto, de que não é possível adivinhar como prepará-lo de maneira adequada", reforça Maria Aparecida de Freitas Cuer, coordenadora pedagógica da EMEF Paulo Duarte, em São Paulo.Uma boa apresentação começa com a introdução, em que o estudante delimita o que será tratado, legitima as razões de suas escolhas e mobiliza a atenção e a curiosidade dos ouvintes. Ao planejar o que será dito, o apresentador deve tentar antecipar algumas reações da plateia, prevendo o que fará mais sucesso ou será de difícil assimilação e, por isso, necessita de apoio escrito, como números - que devem estar registrados nos cartazes ou slides (conheça na próxima página a experiência da professora Regina Pereira da Silva, que promoveu com a turma um seminário sobre o meio ambiente).
Considerar os conhecimentos e o interesse do público é uma característica dos seminários. É por isso que não basta dizer para o aluno seguir um roteiro e falar continuamente, sem nem sequer notar quando alguns parecem interessados no tema e outros mostram que estão cheios de dúvidas. Provocar os colegas em busca de uma reação, questionar se todos estão entendendo ou colocar uma questão chamando para um debate são maneiras interessantes de interagir.
Não se esqueça de que a turma toda precisa ser orientada quanto à estrutura do seminário, ou seja, a organização do tempo de fala de cada integrante e as regras para a participação dos ouvintes - se podem pedir esclarecimentos durante a fala do colega ou apenas no fim, por exemplo (nesse caso, quem está na plateia anota o que deseja saber e espera para retomar a ideia mais adiante).



Nenhum comentário:
Postar um comentário